Gravando áudio de qualidade para filme e vídeo

Esse artigo, traduzido do site iofilm.co.uk, mostra como um pouco de imaginação e um pequeno desembolso de dinheiro em equipamentos de áudio podem melhorar a qualidade do som de seu filme.

Pro XLR cables (top), um adaptador de áudio BeachTek DXA-6 (middle), o DXA-6 anexado a uma câmera DV

Ler sobre a experiência de gravação e edição de áudio de (leia esse artigo), realmente prova o ponto de que um bom áudio pode fazer muita diferença a qualquer projeto, qualquer que seja a escala. Um amigo meu, David Hechenberger, que trabalha com gravação de áudio na Location Sound em Vancouver, frequentemente aponta que “obter um bom áudio é uma das coisas mais acessíveis que você pode fazer para aumentar o valor de sua produção e tornar seu filme melhor”. Por outro lado, um áudio ruim grita “amador”.

Se o áudio é metade do filme, então por quê ele é frequentemente ignorado e tratado como o primo pobre do vídeo?

A resposta óbvia para essa pergunta é que os criadores de filmes não estão sempre usando seus ouvidos. Se você puder ouvir o que está sendo gravado através de um bom conjunto de fones de ouvido, que ofereçam algum isolamento do barulho ambiente, você ouvirá a mais baixa das vozes das pessoas porque o microfone está bem distante, ou o barulho da televisão abafa o diálogo ou os seus dedos batem no microfone enquanto você mexe nos controles.

Você pode culpar os fabricantes de filmadoras por prover microfones ruins e entradas de áudio piores em quase todas as câmeras DV prosumer, mas existem alguns passos simples que você pode tomar para melhorar o áudio que você gravou.

Um conselho padrão para quem está iniciando na produção de filmes é obter ao menos um outro microfone além do que é embutido na sua câmera. O microfone que vem com a maioria das câmeras semi-profissionais são omni-direcionais, o que significa que gravam áudio de todas as direções, o que é aceitável para sons ambientes como pássaros na floresta ou murmúrios de uma multidão, mas não servem para o caso de você querer capturar um áudio mais direcionado como alguém sendo entrevistado em uma rua movimentada. Nesse caso, a menos que a câmera esteja muito perto, o entrevistado será abafado pelo tráfego.

Microfones omni-direcionais embutidos também tem a tendência de, pelo menos em câmeras de baixo custo, capturar os sons mecânicos do funcionamento da câmera, como o motor de zoom e mesmo o som da respiração do operador em momentos muito quietos.

Que microfone usar?

A escolha de um microfone depende da situação na qual você vai usá-lo. Um microfone de lapela é bom para entrevistas e conversas cara a cara. Estes são tipicamente omni-direcionais, mas fornecem um sentimento real de proximidade e intimidade com o sujeito. Um purista como Dave calcula que os mais baratos podem cortar muito do som ambiente e criar muitos resultados claustrofóbicos. Eles também são sensíveis ao barulho do vento e ao movimento da roupa se não forem presos de forma adequada ao sujeito.

Uma outra opção é um microfone de mão dinâmico (sem bateria) produzido por tipos como a Electrovoice que é bom para entrevistas, apesar de que o microfone irá aparecer na entrevista.  Você pode usar esse microfone com um gravador MiniDisc para capturar o áudio de um discurso de perto enquanto a câmera fica no fundo da sala em uma tomada distante. Esses microfones custam em torno de £100 e são bastante duráveis (duram por vários anos). Dave salienta que eles são um componente essencial do kit de áudio, servindo de reserva como nenhum outro, embora evite comprar um microfone muito caro, como o Shure SM58, para esse tipo de trabalho com entrevista, ele avisa.

Dave gosta de microfones pistola, a assinatura do criador de documentários Nick Broomfield. Eles oferecem bastante controle direcional, capturando áudio dentro de uma área em forma de cone de aproximadamente 50 graus em frente a câmera. São excelentes para uma entrevista onde você tem que lidar com barulhos de fundo dos quais não pode se livrar (como tráfego) ou gravação de efeitos de áudio. Tenha em mente que você precisará de uma proteção de espuma para proteger o microfone do barulho do vento e da manipulação do mesmo.

 

Uma vez que um bom áudio invariavelmente depende da proximidade que você está, você deve considerar o uso de um boom, especialmente se planeja cobrir entrevistas em grupo ou cenas de ação. Existem mais aspectos sobre a manipulação de um boom do que ter braços fortes para segurar o microfone em um poste por longos períodos.  A pessoa responsável pela operação do boom deve ser capaz de carregar o boom através da ação sem criar barulhos devido a essa movimentação, ter cuidado para não capturar sombras ou deixar o microfone entrar na tomada e estar em sincronia com o operador da câmera a medida que ele muda de tomada. Fones de ouvido com uma extensão long são essenciais para a manuseabilidade do boom.

A opção final é um microfone sem fio, que consiste de um microfone de lapela e um transmissor, além de um receptor que fica próximo a câmera. Esse tipo de microfone permite que você coloque alguma distância entre você e o sujeito. Você pode usa-lo para o discurso que citei anteriormente, ou em reportagens onde o sujeito frequentemente esquecem que estão sendo gravados.

Eu deveria dizer que tive resultados contraditórios a usar esse tipo de microfone: a primeira vez que usei um deles, eu achei que houve tanto chiado que o áudio ficou inutilizável. Pode ter sido um problema de baixa bateria – esse tipo de mic precisa de uma fonte de energia poderosa. Eu também usei um microfone sem fio de baixo custo da Azden que obteve bons resultados em ambientes controlados, mas não foi tão bem em uma cidade movimentada onde o receptor captava mensagens de taxistas que passavam na rua usando a mesma frequência. Se eu pudesse, eu preferiria outras solução ao invés de microfones sem fio. “Microfones sem fio não gravam sons muito naturais – você tem que trabalhar mair”, adiciona Dave.

Trabalhando com um especialista em áudio

Nesse momento, você está provavelmente percebendo que se você for encarar todas a tarefa de gravação de áudio sozinho vai ser muito difícil obter um áudio de qualidade. Não é de novidade que algumas pessoas operarem câmera e boom, mas é muito difícil conseguir lidar com essas duas atividades ao mesmo tempo.

Se você tem apenas uma chance de obter a gravação então é mais seguro trabalhar com um outro para de ouvidos e mãos. Um bom especialista em áudio se concentrará não apenas em obter um áudio limpo para cada tomada, mas também cuidará da acústica, ambiente, interferência (como um avião voando sobre a cena) e gravação de efeitos de áudio que o operador de câmera pode deixar passar.

Uma outra consideração é sobre como e onde você grava – com a câmera ou em um dispositivo de gravação separado como um DAT ou, se você tiver orçamento para isso, em um gravador Sony MiniDisc? A gravação  em um MiniDisc é feito inteiramente em 16-bit, assim haverá um pequena vantagem comparada a gravação do áudio estéreo digital do DAT ou de câmeras novas.

A gravação de áudio em um gravador separado lhe dá mais controle sobre o processo de gravação. “Um sistema de gravação separado é quase sempre melhor do que gravar na câmera. Por na câmera a cabeça de vídeo está muito perto da cabeça do áudio, as especificações nunca são tão boas no mundo real quanto são no papel, apesar de serem boas o suficiente para uso no dia a dia”, fala Dave.

Idealizadores que possuem seu próprio sistema de edição DV e sincronizam o áudio e o vídeo no processo de edição.

“Espaço em disco rígido recentemente tornou-se acessível de forma que algumas pessoas tendem apenas a digitalizar tudo e usar o que precisam”, diz Dave, citando um documentário de viagem em DV recente onde os idealizadores usaram o MiniDisc excessivamente para capturar áudio depois que o método  funcionou tão bem em trabalhos anteriores.

Você provavelmente estará editando ao menos duas camadas de áudio – uma camada do ambiente e outra do diálogo – e possivelmente adicionando outra camada para efeitos de som e música. Quanto mais limpo o áudio, melhor a mixagem, qualquer que seja a fonte do som.

“Conectores de criança”

Um dos grandes inconvenientes em muitas das câmeras semi-profissionais é a falta de conectores de áudio balanceados. Elas usam uma entrada estéreo de 3.5 mm enquanto microfones profissionais tipicamente necessitam de entradas XLR de 3 pinos mais robustas.

A solução? Ou adquiri uma cara câmera como a Sony PD170 que inclui entradas de áudio XLR ou investe algum dinheiro em adaptadores de áudio fabricados por empresas como a BeachTek. Você poderia por a mão em um ferro de soldagem e mudar os conectores de microfones, mas não apenas conectores mini-jack não são balanceados, eles também se deteriora, e as conexões de perdem mais facilmente com o uso.

“Esses ‘conectores de criança’ são uma deficiência real, especialmente se você for usa-los dia após dia,” comenta Dave.

A linha de adaptadores da BeachTek são anexados ao tripé montado sob a sua câmera e uma vez que você tiver tiver conectado um deles à entrada de sua câmera ela funciona como uma interface de áudio.

Com uma entrada balanceada você pode usar um cabo mais longo com menos ruído tanto na câmera quanto em MiniDisc. Os canais de um beachTek podem também suprir uma fonte de energia extra, uma voltagem de 48 volts padrão da indústria, para microfones condensados que necessitam de uma fonte de energia extra.

“Um adaptador BeachTek irá ter uma vida mais longa do que uma câmera. De fato, a boa notícia em relação a equipamentos de áudio em geral é que você poderá usá-los  por dez a quinze anos. Eles não ficam obsoletos facilmente”, conta Dave.

Conclusão

Se você chegou a esse estágio do artigo, então tem noção de quão sério é o assunto de captura de áudio. Encontrar o microfone certo para a situação certa é a escolha mais importante, o que pode levar também  à necessidade de obter um adaptador de áudio e mesmo a colaboração de um especialista em áudio. “Não tente procurar a bala mágica que faz tudo. As pessoas ficam muito nervosas quando a máquina não trabalha do jeito que elas querem…”, diz Dave.

Ele também recomenda testar o equipamento no campo o máximo possível antes e depois da compra. “Pessoas de sucesso fazem testes” – não se pode argumentar contra isso.

Fonte: iofilm.co.uk