Por que entrar na “onda livre” que é falada por ai?

Bem, como estudante de ciência da computação, tenho acompanhado inúmeros debates sobre o uso de softwares proprietários X softwares livres. Esclarecendo que pessoalmente sou adepto de filosofias livres, gostaria de levar essa discussão um pouco mais além do universo do software, e estender a ideia de “livre” a outras áreas intelectuais da sociedade.


Para começo de conversar, muita gente, ao citar os benefícios do licenciamento proprietário, citam as “boas acções” de grandes corporações que sobrevivem deste modelo. Chegam a dizer “e dai?”, quando alguém questiona as intenções dessas corporações, como se essas acções não precisassem ser questionadas.

Essa linha de pensamento não deixa de ser um pouco conformista. A grande maioria das pessoas tem medo de “peitar” essas grandes empresas, por achar que não tem chance contra elas. Por isso, preferem fechar os olhos para o resultado da enorme concentração de poder nas mãos de poucos grupos, enquanto comem as migalhas que lhe são oferecidas.

Além do mais, muitas pessoas argumentam que não aderem aos padrões livres por esses não poderem ser equiparados em qualidade aos proprietários. Primeiro, existem muitas coisas (softwares, filmes, músicas, livros, etc) que deixam equivalentes proprietários muito atrás. Em segundo lugar, muitas vezes um produto livre é taxado de “ruim” por comodismo de alguém que não tem a mínima vontade de se adaptar a coisas novas.

(No universo dos softwares, inclusive, muitas pessoas continuam usando algum produto mesmo sofrendo dia após dia com situações causadas pela deficiência desse produto quando existem soluções livres que solucionariam essas soluções mais são taxas de “complicadas”- vide disputa windows x linux, ms-office x openoffice, internet explorer x firefox, entre outras).

Alguém perguntaria: por quê eu procuraria me adaptar a coisas novas se alguém (leia-se uma grande corporação) trabalha duro para me entregar um produto adequado para mim? Porque é justamente isso que elas querem: que todos se acomodem e consumam cada vez mais seus produtos, sem questionar seus “dogmas”, exactamente como fazem alguns lideres religiosos, que se pudessem voltariam a idade média e controlariam tudo que seus fiéis pudessem ter acesso de modo que eles fiquem dependentes de suas “doutrinas”.

E, apesar de muitos afirmarem que esses grandes grupos são os responsáveis por todo o progresso conquistado pelo mundo, na verdade eles querem mesmo nos levar de volta a uma situação similar a idade média, onde nesta epoca a Igreja Católica monopolizava o conhecimento.

Não se enganem: quando alguma empresa de software lança um programa com o rótulo de acadêmico ou algo parecido, algum grande estúdio patrocina filmes ou festivais supostamente “independentes”, alguma gravadora promove algum concurso de novos talentos, todos eles na verdade querem é manter o controle sobre seus negócios, e manter o “gado” no curral, “comendo” apenas o que lhe é oferecido.

É preciso mesmo é “escancarar” o acesso aos meios de produção ao maior número de pessoas, de modo que qualquer um que tenha o conhecimento e/ou a capacidade para executar algo tenha a oportunidade de mostrar que possa fazer, sem depender da “boa vontade” de ninguém para isso.

Quanto menos grandes empresas e mais pequenas estiverem produzindo alguma coisa, menos concentração de poder (e riqueza) vai haver. Não podemos nos intimidar nem nos acomodar frente ao domínio de ninguém (que é isso que quem está no topo quer). A solução não é uma guerra civil ou algo do genêro. Esse tipo de guerra pode ser vencida facilmente pelos grandões. Estou falando de uma guerra no campo das idéias.

Idéias para isso? Se você for programador, junte-se a algum projecto de software livre ou divulgue o seu próprio. Não venda programas, cobre por serviços que agreguem valor ao negócio de seu cliente. Se você for um cineasta ou músico, saiba usar a internet para divulgar sua arte, ela pode ser muito útil para “vender” seu produto, muito mais justo para quem aprecia seu trabalho do que os canais oferecidos pelos grades players.

Enfim, não fique parado. Existem hoje excelentes alternativas livres que lhe auxiliarão a por em prática algum projecto seu. Basta libertar sua mente dos pré conceitos implantados pela cultura capitalista desta sociedade.